O Chega está a dizer ao Governo: "os vigilantes da natureza andam a apagar fogos e a apanhar criminosos ambientais com salários baixos e equipamento a cair aos pedaços — é hora de lhes dar poderes de polícia e uma carreira a sério."
🍺 Qual é o problema?
›Existe em Portugal um corpo de profissionais chamado Vigilantes da Natureza — os gajos que patrulham parques, reservas, florestas e rios para prevenir fogos, caçadores furtivos e despejos ilegais.
›A lei que define a carreira deles é de 1999 e está desatualizada: não os reconhece como polícia (não podem investigar crimes ambientais), paga mal e a farda é de portaria de 2006.
›Faltam dezenas de vigilantes no país — em 2021 o instituto público que os emprega (o ICNF) tinha 47 vigilantes em falta face ao mapa de pessoal previsto.
📋 O que muda?
›Reconhecer oficialmente os vigilantes como "carreira especial" — com direitos, deveres e um regime próprio diferente dos outros funcionários públicos
›Dar-lhes poderes de polícia criminal para investigar crimes contra o ambiente (poluição, destruição de habitats, caça ilegal)
›Contratar mais vigilantes para cobrir todo o território (hoje há parques naturais com um único vigilante para milhares de hectares)
👍
A favor
1Mesmo o Governo já admitiu a necessidade de criar uma carreira especial unificada para vigilantes, guardas-florestais e guarda-rios — a ideia tem consenso transversal Público
2O próprio ICNF (o instituto do ambiente) teve de abrir em 2024 um concurso externo para 50 vigilantes porque não consegue preencher as vagas — há um défice real Feed Empregos
Aumentar os salários com suplementos para chefias: 200 euros para chefes de equipa, 300 para coordenadores sub-regionais, 400 para regionais, 500 para o coordenador nacional
›Pagar 600 euros por ano para comprar fardamento e atualizar esse valor todos os anos com a inflação
›Instalar rádios de emergência (o sistema SIRESP, o mesmo que a polícia e bombeiros usam) em todos os carros e telemóveis de serviço
💥 E eu com isso?
›Se um caçador furtivo abate um lince ibérico (espécie em risco de extinção), hoje o vigilante que o apanha não pode sequer abrir um inquérito criminal — tem de chamar a GNR.
›Nos fogos de 2017 e 2025, que mataram dezenas de pessoas, os vigilantes foram os primeiros a dar o alarme em muitas zonas — mas muitos patrulhavam sem rádio, sem equipamento de proteção decente.
›Valorizar esta carreira é também atrair jovens para um trabalho que hoje paga mal e ninguém quer fazer — e sem estes profissionais, as áreas protegidas ficam à mercê de quem as queira destruir.
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Contra
1A proposta cria suplementos mensais novos mas não diz quanto custa no total nem de onde sai o dinheiro — é mais uma proposta de fim-de-mês para a gaveta Agroportal
2Transformar vigilantes em polícia criminal exige formação específica, mudanças legais e articulação com a PJ — não se resolve numa lei de 4 artigos Notícias ao Minuto
3O Governo já está a desenhar uma reforma mais ampla que junta vigilantes, guardas-florestais e guarda-rios — esta proposta pode atrapalhar esse processo maior ICNF